|
O pássaro que desejou ser amado
Wallace Leal V. Rodrigues Psicografia: Maria Nilceia |
O pássaro ferido pela arma impiedosa, voa tentando acompanhar os demais. O horizonte diáfano mostra-lhe o futuro de luz, mas convida-o a não se entregar, pede para que prossiga seu vôo. Ele sabe que essa manifestação da natureza é divina. Gotas de sangue escorrem de seus ferimentos, integram-se ao vapor. A ave não compreende porque foi abrangida por desdita tão grande. Tem noção, no entanto, que mesmo ante a inevitável queda, nada lhe tirará a vida e nem a realidade de seu vôo. Possui a certeza que a brisa tudo renova e elimina as dores. Refaz-se na esperança.
Ouve ao longe, uma música que lhe toca o coração. Percebe que a melodia provém do vale. Enfraquecido, o pássaro desce para descansar. Vê seu bando se afastando sem olhar para ele. Sente a iminente despedida. Com a visão já um pouco turva, pousa no leito de relva. Formosa criança, ao ver a ave ferida, aproxima-se, seca as gotas de sangue e dá-lhe água fresca. Deseja resgatá-la para a vida.
O pássaro força a visão, já não pode quase enxergar, mas guarda na retina a imagem do pequeno ser que o acudiu. Embevecido, fecha os olhos, sonha que é criança também. Tristemente pensa: pena que encontrei um semelhante somente agora... Talvez, um dia, quem sabe, eu me torne humano e possa sentir o que é ser amado e respeitado... se um dia isso acontecer, nenhum pássaro jamais ferirei e nenhuma criança jamais desprezarei.
Refletindo: Não prejudicar a existência dos seres vivos, sejam animais, sejam humanos, é viver o verdadeiro amor e respeito. Levar o bálsamo do auxílio àquele que sofre, é ofertar o medicamento nascido no coração, e este, é o único que consola e alivia. Levante os combalidos e seu vôo será tão alto que nenhum fardo lhe será pesado. |
|
Foto de Stênio F.Campos |
|
Anterior |
|
Site Editado em 2006 |