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Como Implantar na Terra a Era de Luz?
Moacir Sader - agosto/2006
O paraíso celestial tem sido prometido, após a morte, pela maioria das religiões há centenas de anos. Atualmente, vemos grande difusão dessa promessa, quando está acontecendo a proliferação de igrejas e seitas com essa linha doutrinária. Para ser alcançar o futuro paraíso, segundo os ensinamentos religiosos, fundamental se apresenta a aceitação das mais diversas normas tidas, em grande parte, como "divinas", embora não passem, na maioria, de normas humanas ou de interpretação Bíblicas equivocadas.
Um surpreendente fato tem acontecido nas periferias das grandes metrópoles: os bares estão sendo fechados; em seus lugares, estão surgindo inúmeras igrejas com as mais diversas denominações. Se por um lado, o ser humano está ávido pela religação espiritual com o divino; por outro, espertalhões estão surgindo em grande quantidade para atrair essas pessoas, aproveitarem-se delas, sobretudo com angariações financeiras.
Essa evidência de religião/comércio, lamentavelmente tem crescido em larga escala. É só olhar e ver a multidão de templos, de religiões que não param de crescer. Estão transformando as pessoas em "igrejistas". Desculpe-me a criação da palavra "igrejista", mas ela representa bem o sentido que estão dando à espiritualidade, o sentido de ritual e muito de comércio. Estão viciando as pessoas em freqüentar as igrejas, Iludindo-as, gerando nelas a esperança falsa de que essa freqüência assídua às igrejas, quase que diariamente, e os pagamentos de dízimos e outras contribuições (o principal objetivo sublinear, afinal), irão lhes garantir o futuro paraíso.
Mas, o paraíso não está fixado em algum lugar distante, em outro tempo ou em outra dimensão. O paraíso é um estado de espírito, uma questão de coração, de sentir e viver o amor incondicional. E por isso, o paraíso precisa ser encontrado agora, dentro de nós, vivendo-se o amor de forma plena, conectando-se com a divindade existente dentro de nós.
Não devemos praticar ações esperando recompensas divinas, pois o céu não está à venda. O paraíso não se constitui em prêmio a ser alcançado por um rali existencial. Se assim fosse, quem soubesse as regras do jogo e fosse mais ágil, (diria, mais esperto), chegaria na frente, acharia o caminho e a chave do paraíso. Vale lembrar que no tempo medieval, terrenos celestes eram vendidos. Entretanto, nem o dinheiro, nem tão pouco as "boas" ações teatrais nos levam ao paraíso difundido pelas religiões.
Definitivamente, o paraíso não está fora de nós, mas em verdade em nosso interior. Nele, há cavernas a serem exploradas, a serem descobertas, na viagem do tempo pregresso, para depararmos com o muito que erramos em vidas anteriores, gerando ainda mais distância de outra parte existente em nós, a caverna divina, que precisa urgentemente ser reencontrada.
Não que haja necessidade vital de lembrarmos de todos os nossos atos passados, mas, nossa intuição e as tendências interiores negativas apontam para as inegáveis falhas anteriores de nossos espíritos. Basta essa percepção para vermos o que precisamos nos libertar, melhorar, achar o caminho para o nosso outro lado interior de amor divino que tanto nos aguarda.
Devemos ter um olhar crítico para as religiões, as quais têm provocado motivações para tantos conflitos entre os povos e absurdas guerras ao longo da história terrena. Muitas religiões acabaram se transformando, metaforicamente é claro, em times esportivos, competitivos, discriminatórios, sempre à caça de aumentar as torcidas (seus membros), com interesses quase sempre comerciais; sem falar naquelas que promovem a matança "em nome de Deus".
Há igrejas que estabelecem metas de arrecadação para os líderes (ou gerentes?), com participação percentual no que arrecadarem juntos aos membros da congregação. Claro que se as metas de arrecadação não forem atingidas nos prazos definidos, o líder é "demitido", colocando-se em seu lugar outro com mais qualificação e treinamento. (Pura visão comercial - que absurdo!).
A idéia do dízimo nasceu de uma interpretação absurdamente equivocada das palavras de Jesus. Em determinado momento da caminhada do grande Mestre, alguns discípulos resolveram recolher doações em dinheiro junto às pessoas que os seguiam. Quando foram falar com Jesus sobre o que fizeram, Ele os obrigou a devolverem imediatamente todo dinheiro arrecadado, dizendo: Dai a Cezar o que é de Cezar (os impostos) e a Deus o que é de Deus (a espiritualidade).
Em verdade, o que deve importar é a visão de que todos são efetivamente filhos de Deus, todos nós somos irmãos, seja lá qual religião professamos ou, mesmo que não estejamos ligadas a nenhuma delas. Nada disso importa, todos somos carentes de amor, carentes de dar e receber amor, de forma natural. Não estou falando de ações para converter o nosso semelhante à determinada religião, pois isso não é amor, isso é coerção, é desrespeito, total desamor. Todos somos carentes do toque humano, do amor verdadeiro, espontâneo, incondicional.
Só o amor é caminho, o verdadeiro amor, buscado em nosso interior em nosso lado divino, fazendo-nos renascer das falhas passadas, tocando as pessoas com o coração, respeitando-as, vendo-as livres, e desejando a liberdade para todos, sobretudo, a liberdade espiritual.
Precisamos encontrar a luz em nosso interior, o nosso brilho divino, que pode e deve ser buscado agora, nesse momento para colaborar de forma efetiva com a luz de amor em todo o planeta, transformando-o, na junção de milhares de luzes de nossos semelhantes, no paraíso já, aqui e agora.
Não haverá o paraíso após a morte se ele não for alcançado por nós no tempo em que vivemos. Para isso, precisamos nos purificar de todo o mal que já fizemos nesta e nas vidas anteriores, sendo a amor incondicional para com os nossos semelhantes, para com os animais e o planeta, o melhor caminho para se alcançar esse objetivo.
Jesus, quando esteve entre nós, viveu assim, praticando o amor incondicional, a Sua luz divina interna, iluminando todos a Sua volta e mostrando o caminho a ser seguido sem a necessidade de cultos e igrejas (Ele nunca as freqüentou). O Messias disse ser o caminho, a luz a ser seguida. Queria que entendêssemos que nós precisávamos, como ainda necessitamos, seguir esse caminho, achar a nossa luz interna e a focalizarmos para fora de nós, para o nosso semelhante, para o universo, tal como Ele o fez.
Chegaremos a um tempo futuro aqui na Terra em que não haverá as separações de raças e religiões, haverá um grupo único de pessoas, todos irmãos em espírito, vivendo no paraíso terreno. Esses eleitos serão aqueles que se conectarem com a sua divindade interior, formando laços de amor com as divindades interiores de seus semelhantes em puro amor incondicional.
Assim, quando essas pessoas partirem dessa vida terrena, outros caminhos dimensionais irão surgir para serem trilhados no processo de evolução espiritual que excede a nossa atual capacidade mental de entendimento, para que no final de todo processo, tornarem-se, literalmente, unos com o Deus criador.
Enquanto isso, outros irão continuar procurando o paraíso fora de si, em dogmas religiosos infundados, que não estimulam a busca interior do progresso espiritual; prendendo-se a rituais e a atos puramente externos.
Não devemos, portanto, perder tempo com a nossa vida atual terrena, que se esvai de modo rápido. Urge, pois, a procura da luz divina em nosso interior, para de mãos dadas com outros irmãos em luz, implantarmos a nova Era terrena, a Era de Luz do amor incondicional, o paraíso acontecendo efetivamente.
Luz, Amor e Verdade.
Abraços fraternos,
Moacir Sader
Importante vem sendo o desempenho de Moacir Sader em prol de um mundo melhor e mais feliz. Moacir deixa sempre ao leitor importantes chamamentos e oportunidades para refletir.
Outros artigos do autor sobre a Nova Era em seu Site:
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