MAL  DE  ALZHEIMER

 

 

~ Matéria enviada por Carlos Gama ~

 

 

 

17/4/2008
 

- Adesivo é opção para tratar pacientes com Alzheimer. Colado na pele, ele libera medicamento gradativamente durante o dia -

 

Marisa Batalim

Da Agência BOM DIA

 

 

 

Portadores do mal de Alzheimer no Brasil já contam com uma nova opção para o tratamento da doença, na forma de um adesivo.

 

Aplicado diretamente na pele, o remédio chega à corrente sanguínea e dispensa a ingestão de duas cápsulas ao dia de Exelon - droga à base de rivastigmina, utilizada como mecanismo estabilizador que visa retardar a progressão da doença.

 

O Exelon Patch (adesivo) foi anunciado oficialmente no dia 9, durante uma teleconferência nacional realizada em São Paulo, presidida pelo médico Paulo Renato Canineu e acompanhada pelo neurologista Marcelo Gomes, responsável pela área de neurociências do laboratório Novartis, fabricante do medicamento.

 

"O adesivo diminui os efeitos adversos das terapias orais, que dificultam a adesão ao tratamento, como por exemplo náuseas, vômitos e diarréias", explica Paulo Canineu, vice-presidente da Abraz (Associação Brasileira de Alzheimer), especialista em geriatria e gerontologia, professor da PUC-SP, em Sorocaba, onde também mantém sua clínica e a Casa de Idosos Aldeia de Emaús.

 

Segundo o médico, o adesivo demonstrou maior eficácia em termos cognitivos, em relação ao medicamento convencional. É indicado para os primeiros estágios da doença, além de casos de demência associada ao mal de Parkinson.

 

Estudos realizados pelo fabricante em 21 países demonstraram que o Excelon Patch tem maior potencial para desacelerar a progressão dos sintomas da doença. "Ele é capaz de retardar a progressão do Alzheimer por cerca de um ano."

 

Além disso, o adesivo permite esquemas melhores de dosagens. "É uma administração mais confortável tanto para o paciente, quanto para os seus cuidadores, que muitas vezes enfrentam dificuldades para administrar comprimidos."

 

Em forma de rodízio, a aplicação é indicada para oito pontos do corpo, como costas, peito ou parte superior dos braços, uma única vez ao dia.

 

- Envelhecimento -

O geriatra enfatiza que o Alzheimer é a mais freqüente - e sem cura - entre os 60 tipos de demência existentes.

 

Ele diz que a comunidade científica ocupa-se dos novos financiamentos em pesquisa para que, entre dois e cinco anos, descubra-se uma outra droga que interfira no curso da doença.

 

"O Alzheimer é a doença do envelhecimento, acomete 24 milhões de pessoas e afetará cerca de 80 milhões de idosos por volta de 2040", afirma.

 

- Cuidados visam manter memória e comportamento -

Além do tratamento farmacológico dos portadores de Alzheimer, o geriatra Paulo Canineu falou, durante a conferência, sobre a necessidade das intervenções para melhorar e manter a cognição e o comportamento dos pacientes.

 

"Aliado ao uso de medicamentos, o tratamento envolve treinamentos de memória, atenção e orientação nutricional."

 

O especialista destaca que é necessário um programa de exercícios físicos e suporte psicológico ao familiar cuidador.

 

- Custo é o mesmo dos comprimidos -

Durante a apresentação, o neurologista Marcelo Gomes, da Novartis, disse que uma das preocupações do laboratório foi lançar o adesivo ao mesmo preço que os pacientes pagam pelos comprimidos de Exelon. "O valor máximo ao consumidor sairá, no balcão das farmácias, por R$ 12,74 por dia."

 

- Laboratório pede inclusão no SUS -

Indagado sobre a distribuição do adesivo pelo SUS (Sistema Único de Saúde), Marcelo Gomes disse que o laboratório já iniciou os procedimentos para que o Exelon Patch também seja incluído, assim com já são as cápsulas de Exelon. Mas, ainda não há previsão para sua entrada na lista do sistema púbico.

 

Sobre o Exelon Patch

• O adesivo facilita o tratamento de portadores de Mal de Alzheimer em substituição às cápsulas e com o mesmo custo, R$ 12,74 por dia;

 

• Com o Patch (adesivo) o princípio ativo do Exelon (rivastigmina) é absorvido pela pele e chega diretamente à corrente sanguínea do paciente;

 

• Isso oferece a liberação contínua do medicamento, evitando-se os efeitos dos "picos" que se formam com a concentração do remédio ingerido por via oral, como náuseas, vômitos e diarréias;

 

• Pode ser aplicado nas costas, peito ou na parte superior do braço dos pacientes, possibilitando que os cuidadores tenham controle visual de que o medicamento está realmente sendo administrado;

 

• Durante o estudo que permitiu a aprovação do sistema Patch da droga ficou comprovado que o adesivo é mais eficaz para melhorar a memória e manter as atividades diárias dos pacientes;

 

• O estudo, desenvolvido pelo fabricante, teve publicação científica mundial em março de 2007. A pesquisa foi feita em 21 países e envolveu cem centros e 1.195 pacientes, durante seis meses;

 

• No Brasil a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a comercialização do adesivo em novembro de 2007 e ele chega agora às farmácias.

 

A doença de Alzheimer

• É caracterizada como uma forma de demência que afeta a memória, o humor, o comportamento e as habilidades motoras. Causa alterações no cérebro de forma progressiva e degenerativa e ainda não foi descoberta a cura;

 

• A primeira descrição da doença ocorreu há 102 anos, em 1906, pelo médico alemão Alois Alzheimer;

 

• A prevalência é de 7% na população em geral. O mal atinge cerca de 18 milhões de pessoas no mundo. É a terceira maior causa de mortes em idosos no Brasil, que tem cerca de 1,2 milhão de pessoas com demências, das quais de 40% a 70% com Alzheimer. Estima-se que em 2040 serão 80 milhões de portadores no mundo;

 

• A ocorrência está relacionada à idade, aumentando em pessoas a partir dos 60 anos;

 

• Os sintomas começam com a perda de memória recente, dificuldade de compreensão e expressão, desorientação de tempo e espaço, progredindo para delírios, incontinências e rigidez;

 

• O diagnóstico é feito pela identificação do quadro clínico do paciente, pela exclusão de outros quadros de demência e por meio de exames complementares, laboratoriais e de imagem;

 

• O tratamento visa ajudar a controlar os sintomas e a desacelerar a progressão da doença.

 

 

 

Fontes: Associação Brasileira de Alzheimer e Novartis Biociências
 

http://www.redebomdia.com.br/capa.asp
 

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