Isabel e o surdo-mudo

 

 

Wallace Leal V. Rodrigues

Psicografia: Maria Nilceia


 

 

 

Isabel era uma adolescente alegre, sempre bem humorada. Seus cabelos ruivos formavam cachos a emoldurar a face alva e sua expressão nunca escondia o que ia em sua alma juvenil. Amiga de todos e corajosa em suas resoluções, temia, no entanto, Eduardo, seu vizinho surdo-mudo. Jamais havia tentado aproximar-se dele e evitava até mesmo seu olhar.

 

Certa tarde, Isabel estava muito triste, desentendera-se com sua melhor amiga. Sentada na calçada em frente sua casa, a garota chorava de maneira incontrolável. Seu coração se confrangia. Não notou que Eduardo, observando-a, aproximava-se cuidadosamente.

 

Quando ele chegou bem perto, Isabel assustou tanto a ponto de permanecer imóvel. Todavia, ao fixá-lo, surpreendeu-se. Eduardo a olhava com imensa ternura; ela percebeu suave energia a emanar daquele olhar tão meigo. Sentiu um grande e inefável consolo.

O jovem, segurando um lenço, enxugou a face de Isabel.

Quanta fraternidade de um surdo-mudo que usou os olhos para amar e as mãos para materializar auxílio!

Isabel, movida por uma necessidade ímpar, com o passar do tempo aprendeu a comunicar-se com Eduardo. Tornaram-se grandes amigos.

 

Refletindo: Deixe que seus olhos amem, e com suas mãos, enxugue o pranto daqueles cuja dor transpõe os limites do equilíbrio.

Não precisa dizer nada, fale com os olhos e muna suas mãos de fraternidade.

Você pode, você deve!

 

 
 
 
 
 

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