Caridade em cima da hora

 

 

Suzane Hannan


 


 

Nem sempre se pode fazer grandes coisas, mas, pequenos préstimos, são possíveis a todos.

Lembremos da Sra. Ana, dona de bom coração, mas que ainda não havia acordado para determinadas necessidades. Seus armários eram lotados de roupas e de sapatos. A maioria em desuso. Guardava-os, pois achava que um dia poderia precisar.

Anos e anos se passaram e os pertences não saíam das prateleiras.

Até que um dia, ela seguiu a intuição que a perseguia há tanto tempo. Tratava-se de uma voz que insistia:

 

-Ana, ajude os que nada tem. Esvazie seus armários.

 

Ana resolveu atender o apelo. Carinhosamente, separou tudo que poderia ser doado. Lotou o porta-malas de seu carro e foi até um bairro de gente trabalhadora e de poucas posses. Doou tudo. Era 23 de dezembro, quase Natal. Havia levado também muitos docinhos para as crianças, feitos por ela mesma. Ana promoveu a alegria daquelas pessoas.

De volta à sua casa, Ana sorria. Extasiava-se no auge da felicidade. Nunca experimentara essa sensação tão gratificante. Sentia-se leve. Ajudaria com mais freqüência.

 

Dia dois de janeiro. Ana partiu para a dimensão etérea, vítima de um acidente.

Foi recebida num lindo local do Além. A princípio confusa, viu no entanto, vulto amigo se aproximando.

Era sua mãe, que integrava aquela estância há dezoito anos.

A senhora encanecida, abraçou Ana e lhe disse:

 

-Filha querida, ficará comigo neste mundo de paz e de beleza.

 

Ana, emocionada, olhou a mãezinha luminosa e externou:

 

-Mãe... a intuição para eu ajudar os pobres...

 

-Sim, filha, há tempos eu vinha lhe intuindo. Sabia que sua hora se aproximava.

 

-Mãezinha, não mereço ficar neste lindo lugar... poderia ter doado muitas vezes mais...

 

-Todavia, filha, doou de bom grado e alegrou muita gente, no último Natal. Colocou tanto amor nas centenas de docinhos que fez! As inúmeras peças de vestuário, cobriram muitos corpos. Isso conta a seu favor. Ficará aqui e prosseguirá ajudando os necessitados da Terra de uma outra forma. Praticará a caridade espiritual, própria de espíritos que amam e se preocupam com os que estão no plano físico.

 

Abraçaram-se felizes.

 

 

Refletindo: Amar e ajudar o próximo faz bem, confere felicidade e certeza do dever cumprido.

Só quem ajuda sabe como é bom fazer o bem.

 

 
 
 
 
 

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