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Um bom texto é coisa rara, até na Universidade.
Há uma diferença entre o texto de um livro, o de uma crônica e uma página noticiosa ou de reportagem.
No primeiro, é preciso saber a quem se destina o livro: adulto, criança, público técnico, erudito ou popular. Para os de mais cultura, a linguagem pode ser rica, com o uso de termos menos comuns, inclusive técnicos. Para outros é preciso abusar do coloquial, embora sem cair na vulgaridade. Todo texto pode ensinar algo novo, mas as doses devem ser calculadas.
O que mais o escritor almeja é ser lido e entendido. Portanto, será inteligente da parte dele ter esses cuidados. Se já é difícil vender livro neste país, mesmo os de alguma qualidade, será quase impossível comercializá-los quando forem medíocres ou vazios.
Se o texto é para um jornal, especialmente o que noticia um acontecimento, deverá ser simples, direto e objetivo. Deixar a cargo do leitor o uso dos adjetivos e superlativos que envolvam o acontecimento.
Comparem os textos a seguir:
Texto 1 - "Carro em velocidade derrapa numa curva e capota várias vezes. O acidente deixou um morto e três feridos, sendo dois sem gravidade." Um correto lide; objetivo e sintético.
Texto 2 - "Carro em extraordinária velocidade derrapa numa curva muito perigosa e capota espetacularmente várias vezes. Com o impacto do acidente, morreu uma pessoa, duas se feriram levemente e uma terceira sofreu lesões muito graves."
No primeiro texto temos toda a notícia que precisamos. No segundo estamos dizendo o óbvio e cansamos o leitor com linguagem desnecessária e interpretação pessoal. Desnecessário dizer que a capotagem foi espetacular, porque sempre o é.
Uma recomendação, porém, queremos registrar. Para que os textos sejam mais fáceis de ser lidos, use sempre períodos curtos, mesmo que em parágrafos grandes. Abuse do ponto final e do ponto e vírgula para fazer pausas e dar clareza ao texto.
"Quem não se comunica, se trumbica", dizia o velho Chacrinha. Nunca se esqueça dessa verdade.
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