Maria Nilceia

 


Incontáveis são as vinhas,
proliferam-se os vinhos,
eu cuido das vinhas,
para conseguir bons vinhos.
Não quero desuniões,
elimino erupções...
Que o sol me queime,
que a chuva me molhe,
que abandonar o amor eu não teime.
Se sinto o azedo nos corações,
peço às abelhas que façam mais mel,
para adoçar os senões...


Exulte esposa-moça trigueira,
permaneça na dianteira,
que ninguém a contradiga,
nem lhe provoque fadiga,
pois seu coração, jovem faceira,
mais formosa que a tenda de Cedar,
possui fruta deliciosa para ao esposo ofertar.
Vigie sua vinha, faça puro vinho,
Salomão a abrasa e com você casa,
eleva-a em sua divina e jovem taça.


Ele bebe suas lágrimas,
declara-lhe amor e afasta o breu,
deseja seu gineceu e diz no ouvido seu:
procrie comigo, seu ventre é minha plaga,
meu sêmen o mar não traga!
Só você me conhece, filha da Nova Jerusalém,
sua riqueza me acompanha nos confins do além.
Assim como a amo, ame o meu ser,
quero estar em seu "ter".
Amanheça comigo e a dor terá ido,
não deixe que outro vinho eu experimente,
pois se ele tocar meu coração tão carente,
não saberei mais do que estarei ciente.
Beije e prenda com ardor e calma,
minha sensível e amante alma.

 
 
 

 
 
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