Matilde, cansada andava,
achava a vida sem graça,
adolescente que era,
vista grossa a tudo fazia,
o sertão não mais a satisfazia.
Odiou o
cacarejar das galinhas,
o mugir das vacas,
o canto dos passarinhos...
Desprezou o leite quente das manhãs,
a canjica das tardes ensolaradas,
o bolo de fubá da vovó,
as festas no terreiro de café,
as serenatas do vizinho apaixonado...
Matilde não sabia não,
o que a esperava na contramão.
Ao chegar as férias de julho,
desejou na casa da tia passear.
A caminho da cidade, pensava:
tudo vai melhorar!
E lá ia ela, pulando e cantando,
na terra pisando.
Sua
tia, mulher boa,
numa creche trabalhava,
seu coração, de amor transbordava...
Matilde teve que se submeter
a ir com sua tia a creche ver.
Entrou
com esperança,
de ver crianças felizes.
Muitas crianças ela viu,
mas muito tristes as pressentiu...
Uma com febre alta,
outra com o braço quebrado,
algumas desnutridas,
com olhares fixos no nada,
em corações maternos,
não tinham morada!
Matilde,
ao ver algumas chorando
e poucas brincando,
relembrou com saudade,
das noites de serenata,
das festas juninas no terreiro,
das danças nos braços do violeiro...
Deixou o sentimento aflorar,
não conseguiu o pranto segurar!
Após
alguns dias, de volta ao lar,
tudo a todos contou;
a família, aflita,
bonito esquema montou,
providenciando visita à creche,
com os doces caseiros da vovó...
Todos foram com amor e dó,
a caridade praticar
e fazer da creche um lar.
Matilde,
com sabedoria concluiu,
que sua vida sertaneja,
lhe trazia alegria brejeira,
e graças a essa vida,
detinha beleza faceira...
Há
males que vêm para o bem....
No enfado,
a jovem fez do coração um arado
e junto com a família,
tornou-se das crianças o cajado,
desabrochando na fraternidade assim,
ofertando alegria e amor sem fim.
Faça
você um bolo gostoso,
coloque além de fermento,
muito carinho
e ainda um glacê bem feitinho...
Convide as pessoas amigas,
a fazerem um bolo também.
Serão, pois, vários bolos apetitosos,
feitos por corações generosos.
Vale
ainda acrescentar um bilhetinho:
à vocês crianças queridas,
no vai e vem de nossas idas
e de nossas vindas,
damos-lhes além de bolo,
muito amor e calor!

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