Poeta


 
Todos deixam suas marcas uns nos outros,
marcas carimbadas que o tempo não apaga,
recordações que nem furacões eliminam.
O poeta deixa as suas sempre,
gravadas com o selo do amor que sente,
das barbáries ele se ressente,
mas ao coração sua transparência se alia
 e elimina a nostalgia,
vence a ciência,
vence o mundo,
vence o atalho que o insondável cria,
tudo se torna maravilhosamente claro...
Transforma o sentimento
em inebriante canção,
que suplanta qualquer guerra,
qualquer nação,
desfazendo toda dissensão...
A inspiração do poeta elimina o que é vulgar,
afastando a possibilidade de mal julgar,
tranforma a fome em alimento,
a lágrima em sorriso,
a solidão em festa.
Nessa festa dançam os pares,
renovando pesados ares,
ares de guerra
e se encerram na terra
os clamores e dores,
entre bombas e horrores,
tombando corpos...
Faz tua rima, poeta,
pede paz,
pede amor!
Compartilha conosco
tua esperança,
tua beleza te dá realeza,
dá-nos um pouco de teus momentos,
de tua sabedoria,
enxuga os olhos das mães aflitas,
lustra nossas peles,
elas já estão sem vida,
células cansadas...
revigora-as poeta...
afaga as frontes dos velhos cansados,
devolve-lhes o brilho do olhar,
que se esvaiu no infinito...
Canta poeta, declama...
quem sabe se reaviva a chama!
 
Maria Nilceia