Maria Nilceia

 

Ao som de alegres gorjeios,
ampliou-se à altura do céu,
ofereceu sombra, muita flor e fruto,
mas depois veio o luto.

Ela era uma formosa árvore,
desejou ser forte como mármore,
detentora de grande potencial,
importante era seu referencial.

Grande orgulho infelizmente adquiriu,
passou a se engrandecer e a fechar o cantil,
desejou ante o pequeno se engrandecer
e não quis mais a simplicidade entender.

Surgiu do etéreo o poderoso anjo,
cortou sem piedade os lindos ramos,
dizimou os frutos que já não eram tantos,
promoveu grandes e aparentes desarranjos.

Deixou apenas o tronco...
A árvore, em grande desespero entrou
cercada de magnetismo intransponível,
acreditava estar ocorrendo o impossível.

E então, chorando seiva em profusão,
perguntou ao anjo dizimador:
- Por que me tiras a beleza em flor,
sem respeito ao que vibra em meu peito?

Disse o anjo de modo encantador:
és uma árvore muito amada pelo Senhor,
mas usaste a insensatez
e te engrandeceste de vez.

Deus coloca o humilde em divino trono
e do grande só deixa o tronco,
voltes com grande amor à humildade,
faças a caridade com piedade.

Ames o vermelho, o amarelo, o negro,
o brasileiro, o marroquino, o grego,
consideres-te menor,
para seres maior.

Teus ramos a crescer voltarão,
teus frutos doces renascerão,
caminhes ao lado do desolado,
tornes tua seiva malhada.

A árvore não suportou a provação,
definhou, abandonou toda a ação,
bastaria ter se tornado simples,
tendo a pequenez como nação.

Adentrou os pântanos etéreos
e conheceu a continuidade de intensa dor,
chorou... mas, que bom, voltou a produzir flor,
adotou finalmente a simplicidade, sem mistérios.

Hoje está linda aos olhos do Criador,
sem preconceitos e exclusões,
vibra até ante as feras, sabe-se árvore,
mas sente-se relva, não deseja mais ser mámore.

Deixa-se pelas tempestades violentar
e voltou de verdade a amar,
bendito sejas, Nabucodonosor,
colhi hoje em ti o esplendor...

 
 
 

 

 
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