Ladrão de Doces
 
 
 
Ele parou timidamente em frente o balcão,
era o balcão de uma grande padaria.
Que doída vontade de um doce pão,
olhava tantos coloridos confeitos... engolia,
olhava as pessoas, com o olhar pedia... em vão.
 
Pobre garoto, roto, faminto,
os lábios se abriam, a saliva espumava,
nem ao menos poucas moedas ganhava,
as pessoas, com pacotes saíam,
dele não se compadeciam.
 
Corações insensíveis, horríveis...
o que fizeram de você, Zé?!
Pois é... Zé aprendeu a roubar,
por vontade de doce experimentar,
na primeira vez teve medo...
 
Pensou: e se me cortarem o dedo?
O que fez sua mãe, Zé?!
Não o ensinou a não roubar?!
Ah... quem tem boa mãe, tudo tem,
Por isso, querido, não podemos te culpar.
 
Zé, o mundo é imaturo e cruel,
vou te contar uma verdade,
em muitas casas alimentos emboloram,
é o desperdício daqueles que o povo exploram,
esquecem quem vive na orfandade.
 
Vamos juntos à Brasília,
quero te mostrar coisas grandiosas,
vamos sentar naquelas lindas cadeiras,
haverá uma para nós... elas são numerosas...
vamos lá dizer que votaremos neles.
 
E você terá um monte de doces!
Vamos, Zé, eu voto neles por você,
mas só  e unicamente por você
e se você morrer, Zé,
não voto mais... pois é.
 
 
Maria Nilceia