Guerra
 
 
 
A nação estava em guerra,
muitos mortos caídos em terra,
outro tanto... doentes,
muitos leitos,
dor nas almas, torpor nas mentes...
 
Jovens atacados,
tombados, inertes...
Poucos se arrastando,
sobrevivendo,
ante o horror da guerra!
 
Alguns sem braços,
outros sem pernas,
olhos salientes,
corações silentes,
lábios macerados,
sentimentos divergentes,
que eu captava compadecida,
ao ver nas almas as feridas,
nos corpos as gangrenas.
Médicos no acampamento,
doando de si o alento,
tentando salvar as vidas.
 
Por que me lembro disto?
Eu estava lá, sofrendo junto,
o branco de minha roupa,
eu vejo,
tinto de sangue, tinto de dor!
O ontem no hoje...
Adianta levar adiante meu clamor?!
Pedir respeito e amor?!
 
Consolei, enxuguei prantos...
E aquela figura de homem bondoso?!
Quem era?!
Ele tinha uma espada!
Usava-a como defesa.
Quando ele rasgava o vento,
levando-a de um lado a outro,
todos se sentiam seguros
e o acampamento se inundava
de confiança e esperança...
 
Era um homem comum?
Parecia um enviado...
Seus olhos,
abriam da alma o véu,
ofertando do coração a suavidade,
compreendendo a dor da orfandade.
 
Aquela criança... vejo-a ainda,
olhos assustados,
garganta em soluços,
sem esperança,
chorava sobre os corpos dos pais...
Ele, o enviado, pegou-a, acariciou-a,
colocou-a em meus braços...
Beijei-a, acariciei-a,
apertei-a em meu peito,
ficou sendo nossa...
 
Nossa criança,
nosso elo,
nossa vida,
o símbolo de uma guerra,
mas também o símbolo do amor,
da fraternidade, da união.
Ela... para sempre nossa...
 
Hoje... missão de proclamar,
o nosso horror à qualquer tipo de guerra!
 
 
Maria Nilceia
 

 

 

 

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