Estou errada, Tchê?
 
 
 
Mundo lindo o de alguns,
tanta fartura e divertimento,
bebidas, encontros,
sem nenhum comedimento.
 
Boutiques visitadas,
por damas artificiais,
faces rebuscadas,
fala pueril de trejeitos e áis.
 
Mundo pobre o dos africanos,
em inúteis confrontos internos,
crianças magras e fracas,
nem todos pensam em suas sagas.
 
Olhos expressivos desses pequenos sem lar,
olham o alimento, mas não conseguem provar.
Sem revolta, sentem a vida passar,
nem imaginando como a Deus amar.
 
Mães com seios disponíveis,
mas de leite vazios,
deixam-se a todo momento sugar,
tentando os filhos alimentar.
 
Enquanto isso,
seres inúteis e fúteis,
brigam por bens materiais,
por um carro do ano,
 
por um não ao Lula,
com medo da desgraça chegar.
Não que eu seja a favor do Lula,
ou de qualquer outro candidato sequer.
 
Abomino dos capitalistas os cartéis.
Ao egoísmo eles são incrivelmente fiéis,
condeno as polpudas carteiras,
nascidas nas safadezas matreiras.
 
Sei que esta poesia,
bem poucos vão ler,
pois não é erótica,
nem tão pouco romântica.
 
Muitos dirão,
que babaquice chata de se ver.
 
Não proclama o tesão,
nem provoca arrepios naqueles,
que em desejos ardem,
no mundo só deles.
 
Trata-se apenas,
de palavras obtidas com lágrimas,
de quem deseja o mundo mudar,
achando as diferenças sociais injustas,
pedindo leis mais justas.
 
Desejo com tanto ardor,
que tanta coisa mude,
neste incrível planeta.
Peço apenas que...
 
...os grandes dos pequenos tenham pena.
Estou errada, Tchê?
Se existir ao menos pena,
com o tempo elimina-se a gangrena.
 
 
Maria Nilceia