Desejo Tanto Ir Embora
Almejei ter o colo quentinho,
de
uma mãe tão carinhosa,
que
me embalasse com amor,
dando-me momentos de esplendor.
Quantas vezes andei pelas ruas,
com
minhas vestes rasgadas,
olhando por detrás de vidraças,
o
amor nas lindas famílias,
por
mim tão invejadas...
Aspirei ter um bom pai,
que
fosse pai de verdade,
dando-me proteção,
desviando-me com piedade,
dos
chamamentos que foram,
tão
perigoso alçapão...
Tantos dias mendiguei,
o
amor de um pai alheio,
esperando um sorriso,
mas
obtendo um aviso,
que
não me aproximasse,
achavam-me sujo e feio...
Passei fome tantas vezes,
o
frio foi um martírio,
agasalhos eram escassos,
não
existia ainda
campanha de agasalhos.
O
que jamais desejei,
acabou por acontecer,
ladrão me tornei,
para poder sobreviver...
Fui
preso e acusado,
de
uma casa assaltar,
como não quis confessar,
apanhei até vomitar.
Sim, roubei dinheiro,
porque desejei demais,
muita comida comprar,
muitos doces saborear,
para fome não mais passar.
Foi
na cela, que alguém,
bondosamente me deu,
uma
gravura tão linda,
mostrando Nossa Senhora,
ninando o seu menino.
Orei então à Maria:
Ó
Maria, querida mãe,
vem
depressa e me leve,
deste mundo tão cruel,
com
grande sabor de fel...
No
entanto, sozinho continuo,
guardando essa imensa vontade,
de
me encontrar com Maria
e
com seu filho Jesus...
Quando disso farei jus?
Meus cabelos, já estão brancos,
minha casa, um banco frio,
minha profissão, pedir esmolas,
meu
destino, passar fome,
minha dor, rejeição...
Maria, volto a pedir e insistir,
arranje, por favor, sem demora,
pomares com gostosas amoras,
onde exista a leveza de anjos,
que
me tragam grandes encantos...
Neste mundo, vivo em prantos!
Maria Nilceia

Imagem Original
by Moon and Back Graphics
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