Compartilhando

 
 
Imensa a fila,
de crianças nuas,
de velhos nas ruas,
tantas mulheres
e homens inertes.
Pés descalços,
feições com interrogações,
lágrimas avolumadas,
pessoas mal amadas,
desejavam carinho,
compreensão,
alguém que lhes desse a mão.
 
Olhei-os com grande amor,
ofertei-lhes o que desejavam,
escutei-os movida pelo ardor,
enxuguei suas lágrimas,
fiz cessar todo lamento.
Enquanto eu consolava,
alguém ia dizendo:
-Prossiga, filha,
eles necessitam
na vida encontrar sentido.
Doe-lhes da fé o fervor,
elimine da solidão o pavor. 
 
Prossegui reerguendo
e a dor das almas contendo.
Não desisti de levar-lhes esperança,
com a inocência de criança.
Com piedade o bem divulguei,
toda resistência eliminei.
E quando os ouvidos aprumei,
vitoriosa, dos lábios deles escutei:
-Pai, obrigado, cremos em Ti,
cremos no ser humano!
 
A essa altura senti que podia partir,
para em minha própria dor refletir...
 
 
Maria Nilceia