Cecília
e Jairo
Cecília, filha de camareira,
num bem talhado castelo,
seu pai, jardineiro,
fazia sempre lindo canteiro.
Cinco anos completos,
linda essa menina,
de dourados cabelos,
razão de tantos zelos.
Jairo, filho do senhor feudal,
tão menino e já nutria por
Cecília
amor magistral,
era também amado, planos
fazia...
Juntos cresceram,
juntos na relva deitaram,
seus corpos se uniram,
suas bocas divinamente se
tocaram.
Os bosques do castelo,
tudo presenciaram em silêncio,
guardaram segredo do forte elo,
ao casal doavam incenso.
Jairo, prometido à Marta,
não pode Cecília desposar,
mas carregou-a como serviçal,
para poder ao menos se encantar.
Sorvia seus néctares na mente,
bebia seu leite com o coração.
Cecília essa situação aceitava,
pois, sem Jairo não ficava.
Tudo corporificou-se no
pensamento
e no coração apenas,
embora os dois ardessem por
dentro!
Marta, percebeu... teceu plano
sangrento.
Contratou o capataz,
que para longe Cecília levou
e sem piedade a matou.
Chamando Jairo, ela expirou.
Jairo, sem nada saber,
em desespero entrou,
a verdade queria ter,
mas não a encontrou.
Tanto chorou escondido,
sua dor de tamanho desmedido!
Definhou, em nada achava
guarida,
faltando Cecília, faltou-lhe a
vida.
Envelheceu, adoeceu,
de saudade morreu
e bem lá no alto,
por alguém foi levado.
Ninguém acredita,
mas foi Cecília que ao alto o
levou
e hoje, quem olha a lua,
aquela que os internautas
admiram,
vêem Cecília e Jairo,
felizes dançando
e depois...
no chão da lua se amando!
Maria Nilceia



