Casal Cometa
 
 
 
Tua mente ergue-se como meu altar,
teus olhos são o meu farol,
tua palavra torna-se minha condução,
teu corpo é o meu leito,
teu abraço transforma-se em minha proteção,
o carinho de tuas mãos é o meu sustento.
Posicionas-te como o pássaro que voa alto,
levando a fêmea a horizontes desconhecidos.
Penetras entre as nuvens que acariciam,
permites que ela em teu dorso se abrace,
pois o medo que ela tem de voar é grande,
o temor de cair vem de outras eras.
Ela treme... no início muito... depois menos,
e num trinado febril de alegria
entrega-se sem reservas
com grande gozo.
Permite-se conduzir,
olhar o céu de perto,
confia em seu pássaro gêmeo,
acha macias suas penas,
rende-se ao seu divino carinho...
Vê que as montanhas são pequenas
e os vales são minúsculos
diante do amor de seu pássaro.
Nesse vôo de grande prazer,
o macho sensível e amigo
trina e chora de felicidade...
As gotas de suas lágrimas
vertem sobre as flores das planícies.
São gotas balsâmicas
e o perfume se alastra!
O mundo fica conhecendo a ventura
de duas aves que voam unidas,
em dimensão de grande extensão.
A velocidade é imensa,
parecem cometas.
Casais acenam-lhes com alegria
e desejam também voar.
Ele diz à sua amada:
desçamos, ensinemos como amar,
como a tudo divinizar...
E com a fêmea leve em seu dorso,
ele desce em ritmo acelerado,
ensina com sabedoria,
ajudado por sua fêmea gêmea.
Missão cumprida,
voam novamente...
desaparecem entre as nuvens
as duas aves cometas.
Caem gotinhas salgadas,
perfumam-se os jardins,
sorriem na Terra os namorados...
Lá em cima,
o casal cometa ama...
 
Chove o gozo!
 
 
 
Maria Nilceia