Ao som dos Anjos
 
 
 
Quantos caminhos sinuosos no emaranhado das vidas!
Quantos vendavais nos séculos dos tempos idos!
Quedas, dores, dissabores, ultrajes, injustiças,
sangramentos, vidas eliminadas,
atiradas de solares,
corpos caídos,
inertes...
 
Lábios cerrados, não podiam a verdade contar,
eliminado estava o poder de falar,
fadado o corpo a apodrecer,
alimento para a terra...
adubo para as plantas.
 
Almas para o Além partiam, magoadas, doloridas,
vilipendiadas, agonizantes, aterrorizantes...
Mas os Anjos ali vinham,
limpar o sangue sutil,
enxugar prantos...
 
Teciam ataduras  perfumadas para as almas feridas,
tocavam cítaras  e cantavam, para devolver alegria,
deixavam abertas grandes fendas no céu,
que mostravam o paraíso...
com muitas flores!
 
E as almas sacudiam o pó venenoso que lhes contaminava,
desejavam ardentemente passar pelas fendas,
sentir os perfumes das flores,
estendiam as mãos,
rogando atenção.
 
Os Enviados, depositavam as cítaras e as harpas,
ao pé das lindas árvores da Floresta Encantada,
erguiam os seres combalidos,
com muito carinho...
e amor!
 
Passava a fome, passava o frio dos corações entristecidos...
Na esperança se refaziam, na certeza de um final feliz,
reerguiam-se alegremente esperando
as providências divinas...
 
Hoje estamos aqui, juntos, lutando, o bem disseminando,
aumentando os laços de amor e de compreensão,
que temos nos enlaçando com grande maciez...
prossigamos unidos sempre, unidos afinal,
como partículas de um só cristal.
 
 
Maria Nilceia
 
 
 
 
 
 
 
 

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