Ajudando os Mortos
-Caso verídico-



"Mortos" podem ser vistos,
aparecem sem sua presença conter,
acreditem no que lhes digo,
isso não é de estarrecer.

Desejo algo lhes contar,
é preciso um pouco deles falar,
pois são realidade às vezes pungente,
que se torna cada vez mais abrangente.

Saibam dum caso real,
contado por quem não mente,
apenas amor sente
e calar não consente.

Mary estudava em colégio de freiras
e com elas muito aprendia...
Irmã Raquel, uma freira exigente,
dizia coisas que a tornavam diferente.

Certa manhã, com muita certeza afirmou:
se vocês, minhas meninas,
pudessem ver os espíritos que nos rodeiam,
pasmas ficariam, convicta disso estou.

E uma das alunas, a Mary,
que desde criança via espíritos,
sabia que isso era verdade...
espíritos rondavam sua propriedade.

Mas uma prova tão real,
aconteceu numa manhã sem igual.
A aluna, agora já professora,
jamais passaria por teste tão fenomenal.

Ia ela com seu Fusquinha,
por larga estrada de terra,
num sábado de manhã,
voltando à sua terra.

Não via a hora de em casa chegar,
para a saudade da família matar.
E na estrada poeirenta cantava,
feliz da vida estava.

De repente, muito assustada ficou,
ouviu uma voz feminina,
no banco de traz
que para ela nitidamente falou:

Se após a próxima curva,
você encontrar à sua direita um homem,
parado na entrada de uma fazenda,
reze por esse pobre homem.

Ela logo olhou para traz,
mas no banco não havia ninguém,
o remédio era acelerar e prosseguir,
medo agora, não adiantava sentir.

E a curva estava chegando,
iria contornar uma região mais elevada.
A professora estava numa apreensão danada.
O final agora ia beirando...

Ái, meu Deus... o homem lá se encontrava!
Seu vestuário nada tinha a ver,
com a realidade do ambiente a se ver,
vestindo terno preto ele estava.

Gravata preta, óculos escuros dos antigos,
gravata preta, chapéu preto
e mala preta, estilo igualmente antigo,
feita de papelão.

Ele estava sim na entrada de uma fazenda,
à direita, olhando para o atalho...
talvez carregasse no interior de si mesmo
dúvidas de montão, não sabia se entrava ou não.

A professora logo todinha arrepiou,
da cabeça aos pés...
e para o homem prontamente rezou,
com muita pena dele ficou.

O que fazia aquele viajante do além, ao chão atado,
com terno escuro empoeirado, indeciso e parado?
Que dores na alma trazia,
aquele perdido de tanto tempo?

E pelo retrovisor a professora foi olhando,
ele lá continuou... se entrasse no atalho,
e na fazenda resolvesse ir por muito tempo ficando,
a família com certeza iria se atrapalhando.

Vamos meus amigos, esta verdade ponderar,
e se alguém nos atormentar,
teimando em não se afastar,
oremos, nossa paz vigiemos,
pois para que a paz conquistemos...

... é preciso a caridade aos mortos realizar,
o amor fica mais lindo, ao se plenamente doar.
Cuidem do lar...
Se tudo estiver saindo errado, desconfiem,
tem atrapalhação... na dor, não se trancafiem.

Se não conseguirem se libertar,
busquem ajuda para que a harmonia possa voltar.


Maria Nilceia