A cada uma, um pastor
Aglomerem-se meninas, escutem,
exultem e depois com fé cantem...
Ia eu por um caminho de espinhos,
onde andava a ira eu via,
seres enfurecidos,
no orgulho empedernidos.
Desperta, de coração alerta,
disse ao Criador que acreditava no amor,
orei dizendo que O procuraria,
nos cantos esotéricos, nos exílios,
buscando formosos idílios.
E no caminho de pedras,
surgiu um pastor de grande rebanho,
sua beleza não tinha tamanho,
impossível medi-la,
chegou cheirando jasmim,
ofertou-me amor sem fim.
Disse-me que o ajudasse no pastoreio,
dividíssemos o trabalho meio a meio,
Ergueu-me em seus braços fortes, queimados,
sorriu-me com esperança que eu ajudasse as fêmeas,
enquanto ele levaria os machos ao rio,
a fim de se banharem para encantar as fêmeas.
Seria um banho de água e purificações,
testemunhado por rítmicas orações,
prenunciando suaves ações.
Anunciou-me seu amor com galhardia
e disse que a Jesus me levaria.
Aceitei tão digno encargo,
achando ser um leve fardo,
que brilha como Dalva, a estrela alva.
Ele alimentou-me com frutas e doces,
caminhou comigo no campo molhado,
beijou-me com o ardor de um ser alado,
cuidou de meu sono, não deixou que me acordassem,
permitiu que só meus sonhos falassem...
e quando me viu refeita, curada,
ofertou-se a mim, dizendo:
-Minha doce amada!
Entregou-se, imolou-se,
lindo canto no ar agigantou-se
e eu conheci a plenitude de um pastor.
Com suavidade,
colocou em mim esperança e pediu-me:
vai, enquanto faço para você uma infusão,
que não permitirá a volta da obstrução.
Diz às jovens que choram
a dor da saudade, do amor e da mágoa,
que orem e em Deus se consolem,
a cada uma delas será dado,
formoso pastor ao amor ligado...
Vai, mostra-lhes a verdade do nosso Deus,
a nossa verdade expandida, sentida e vivida!
Maria Nilceia
-Poesia
inspirada no Cântico dos Cânticos-

|